Muito além do #7×1:

Há 1 ano, no anoitecer de uma terça-feira, sob a presença de mais de 70 mil “torcedores”, éramos vítimas de um dos maiores vexames da história, não somente no âmbito futebolístico, mas também no político, cultural, social, etc… Foi como se o nosso dinheiro, digo, os bilhões de reais que nos foram extraídos, tivessem sido jogados ao vento, perdidos, desvalorizados. De fato, o sonoro grito de GOL sequencial dos alemãos soou aos nossos ouvidos como um sermão necessário, um grito inevitável, um despertador ensurdecedor. Entretanto, embora absurdo o placar estampado em nossas caras, se pensarmos bem, foi um espelho limpíssimo que nos refletiu o que somos realmente, aliás, o que a nossa política nos tornou. Os bastidores da Copa do Mundo foram tão corruptos quanto os do Planalto. Gastos ilimitados, perspectivas efêmeras, ausência de ética e moral, privilégios oriundos da imagem para quem a tinha e sabia usá-la. Enfim, a goleada que tomamos tem sido diária, mensal, anual, secular. Na economia, enquanto o Brasil toca a bola, ameaçando, dando chutes distantes da rede; a Alemanha treina, planeja, entrosa e, portanto, faz-se preparada para o jogo, sabendo exatamente onde deve tocar, quem deve defendê-la e a meta que deve alcançar. Na cultura, o Brasil recua, regride e usa um uniforme que não lhe é característico, ao contrário, o descaracteriza; enquanto a Alemanha chuta a bola murcha para quem ainda é útil, e compacta seu centro campal a fins relevantes, tratando a bola com fineza e elegância, talvez arrogantemente, porém com extrema eficiência. Deixo, então, as analogias de lado para tonificar a realidade que me é límpida: o Brasil apanha da Alemanha e de qualquer outra nação em quaisquer circunstâncias, seja dentro ou fora de campo. Muito além do 7 x 1, o vexame tupiniquim é constante, agravante, gradual, ou seja, a contrapartida do que deveríamos ser na condição de 7ª maior economia mundial, temos estado instáveis, mais pra baixo que pra cima. O mapa brasileiro é o estádio do fatídico acontecimento. Os vermelhos representam os turistas que vêem pra cá e riem de nós; os amarelos somos nós, incapazes de disputarmos justamente com uma “concorrente”, abatidos perante ao fracasso, na iminência do abismo; o juíz representa aquela pequena parcela social que tenta controlar as coisas e nos impôr regras a serem seguidas, racionando as emoções; e aquela de azul no ápice do cargo, sentada longe do povo, em área restrita, é a figura maior do nosso país, que assiste aos espetáculos que lhe convém e omite as desgraças que deveriam convê-la tanto quanto. Enquanto entrarmos no gramado e pisarmos nas ruas sem coragem para vencer, ouviremos gols e mais gols, de várias formas, narrados de maneira sádica, como desdenhas contra os nossos fiascos.

Gol da Alemanha… 7 x 1 de fato foi o mínimo.

– Kaio Lopes

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Publicado em 8 de julho de 2015, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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