Aguinaldo Silva se inspira em Tieta para a reta final de Fina Estampa

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O que o futuro reserva para a maquiavélica Teresa Cristina? Quem é o misterioso namorado de Clô? Estas são algumas perguntas que bombardeiam a mente do público de Fina Estampa, mas o autor da novela, Aguinaldo Silva, tratou de dar algumas pistas do que vem por aí durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, no qual foi o entrevistado desta segunda-feira (12).

No centro do estúdio, Aguinaldo Silva foi sabatinado pelo apresentador de Mario Sergio Conti, além da presença na bancada de Raimundo Rodrigues Pereira (diretor da revista Retrato do Brasil), Maurício Stycer (repórter e crítico do UOL), Cristina Padiglione (editora e colunista de TV do jornal O Estado de S. Paulo), Kátia Mello (Content Master da Tv1 eventos) e Nilson Xavier (autor do livro Almanaque da Telenovela Brasileira).

Questionado sobre o que aguarda o futuro de Teresa Cristina, personagem da atriz Christiane Torloni, o autor tentou não dar muitas pistas, adotando um tom enigmático. Só garantiu que a vilã não deixará o mundo dos vivos.

– Teresa Cristina não vai morrer nem será presa. Não sei se ela dará bem…

O mistério também deve acompanhar os rumos de Clô (Marcelo Serrado) até o capítulo final. A inspiração de Aguinaldo Silva para o desfecho do carismático personagem que acompanha de perto as armações de Teresa Cristina vem de longe, mais precisamente da novela Tieta, “a minha novela preferida de escrever”, segundo as próprias palavras do autor.

– Tieta foi a primeira novela escrita após a censura. Escrevi coisas ali que não passariam nunca. Na novela sempre permaneceu a pergunta sobre o que havia na caixa da Perpétua (vivida por Joana Fomm), o que havia lá que causava tanto pânico nela. Eu nunca revelei o que havia na caixa e estou pensando também em não revelar quem é o namorado do Clô. Isto será a “caixa de Perpétua” de Fina Estampa.

Aguinaldo Silva também não se esquivou quando o assunto foi a audiência da novela das 9, que vem atingindo a casa dos 40 pontos, de acordo com o autor, número esse surpreendente diante da audiência em queda que atinge a televisão aberta no País.

– Minhas novelas sempre foram muito populares. Minhas novelas até sofriam preconceito da classe média no passado. Hoje, eles (diretores) querem que os autores escrevam para essa “nova” classe média. Existem autores que não vão conseguir. (…) Dificilmente as novelas hoje vão ultrapassar os 35 pontos (do Ibope), já era esperado isso. Fina Estampa alcançou 40 pontos.

Autor aborda polêmicas e solta o verbo

O jornalista Maurício Stycer criticou abertamente Aguinaldo Silva pelo que, segundo o crítico do UOL, seria uma “caricatura exagerada de jornalistas na novela Fina Estampa”. O autor não perdeu tempo e deu uma das suas várias respostas mais diretas da noite, sem deixar dúvidas.

– A gente encontra uma Marcela em cada esquina, em sites. E me interessa mais falar sobre os jornalistas que não são sérios. Agora, já o jornalista investigativo (da novela) era sério sim.

Outro ponto abordado pelo autor da trama das 9 foi a presença cada vez mais constante do governo, por intermédio do Ministério das Comunicações, na censura do conteúdo exibido pelas emissoras. E ele chegou a correlacionar a situação com a censura vivida nos tempos de ditadura militar no Brasil.

– Nunca existe um “não faça isso Agnaldo”, mas nós (autores) “comandamos” a novela. É uma coisa perigosa. A classificação por faixa etária é uma forma de censura. Antes era mais divertido (risos). Quando existia censura no Brasil, as “regras do jogo” eram mais claras.

Voltando o seu olhar para a sua própria classe, a dos autores de novelas, Aguinaldo Silva não poupou críticas ao “politicamente correto”, movimento cada vez mais comum em novelas e programas de TV.

– O politicamente correto nas novelas é um pavor. As palavras perderam o sentido. Por exemplo, não se pode usar cigano no dicionário. Eu estou sendo processado porque disse “paraibinha”…

Com contrato com a Rede Globo até setembro de 2014, o autor ainda não sabe se permanecerá na emissora após o fim do atual vínculo (“só saberei quando chegar lá”). O que Aguinaldo Silva tem certeza é do que o público que prestigia suas novelas gosta de ver. A fórmula, pelas palavras dele, parece simples.

– Em uma novela você tem que ter uma linguagem mais ágil e contemporânea, diferente do que era antes (…). Minha maneira de escrever não muda, sigo sendo a mesma pessoa desde os 16 anos, quando escrevi o meu primeiro romance. É sempre uma brincadeira, não mudei. Sou sempre espontâneo, sempre com um frescor.

R7

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Publicado em 13 de março de 2012, em Uncategorized e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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